É comum dizer que artista se nasce: - É difícil aprender a arte se não tiver dom! Todavia, não nascemos já sabendo ler ou escrever: há escolas, professores, métodos. Aprender a desenhar não é muito difícil. O problema é aprender a ver, ou seja, passar a ver de outra maneira, ver com a mente.

Muitos artistas contemporâneos bem sucedidos creem que a capacidade de desenhar com realismo não é importante. Portanto, venho dizer que não tenham medo de aprender a desenhar realisticamente.  As fontes da criatividade não se bloqueiam pelo fato da pessoa adquirir aptidão pelo desenho, afinal, o desenho é à base de todas as artes. Picasso, que era um excelente desenhista, é um grande exemplo deste fato, e a história da arte está repleta de outros.

Aqui está, portanto, um método eficaz, não para tornar-se artista, mas pra entrar vagarosamente e oportunamente, no campo do desenho artístico acadêmico e realista. Aos poucos, durante o curso, treinarei sua percepção para que você consiga não só ver, mas enxergar o mundo de outra maneira, ou melhor, dizendo, da forma em que o artista vê. Você aprenderá os primeiros elementos, os fundamentos, as técnicas de luz e sombra, e depois, exercício, exercício, exercício... Como já afirmava, acertadamente, o grande desenhista e pintor francês Jean Auguste INGRES: "Nem tudo em arte é cérebro. Esquecemos, amiúde, que a ação e educação manual é um fator básico, sem o qual não pode existir a obra artística".

Antes de saber há que saber . Com que vamos desenhar, com que materiais, com que utensílios, com que meios e técnicas.  Você já ouviu falar de esfuminho? Conhece a borracha maleável? Ou já desenhou com haste flexível? Algodão? Sim algodão! Todos esses materiais dentre outros fazem parte da técnica que utilizo a lápis de grafite. Privo muito também a qualidade dos materiais, sendo grande maioria deles marcas importadas.

Mas para tanto, não há mágica. Sem o esforço e predestinação do aluno, não há resultados. Costumo dizer que passo ao aluno a chave da porta do conhecimento, mas é ele quem vai abrir a porta do sucesso. Não tenho nenhuma fórmula do aprendizado, senão, o próprio esforço e dedicação da pessoa em querer aprender. É 10% de inspiração e 90% de transpiração.

Sendo assim de treino em treino, você será guiado ao traço seguro, espontâneo, artístico: De pouco em pouco, sem o perceber, o pequeno esboço transformará em verdadeira obra de arte, e o estudioso de hoje tornar-se-á o profissional de amanhã.

Um grande abraço.

Desde as épocas mais distantes da história da arte, o retrato foi um dos temas mais admirados entre as pessoas.  O desenho se presta a orientar para que esse trabalho seja bem sucedido, pelo menos no que diz respeito a uma obra fiel ao seu modelo.

Mas porque este é um tema de tanto interesse e que manifesta tanta vontade de execução pelos artistas? Podemos começar pensando pelo seguinte raciocínio: no mundo há milhares de pessoas, entretanto nenhuma delas tem fisionomia idêntica. Já pensou nisso? Você é uma pessoa única em todo o planeta e desenhar retratos, pensando nisso, torna-se uma tarefa bastante intrigante. Ou por outro lado a pessoa que mais amamos ou que gostamos é também única em matéria de forma.

As possibilidades do tema retrato, portanto, são imensas. Há pessoas que dizem: mas você só desenha retratos? Bom, diante de tantas possibilidades, poderemos ficar toda a vida desenhando sucessivas pessoas sem que possamos nos debater com alguma igual a outra. Mas respondendo a pergunta, não. Porque quem consegue desenhar uma pessoa de forma em que não reste dúvidas de que seja realmente ela, e não fique apenas parecida com ela, poderemos dizer que qualquer outro tema torna-se fácil diante de tanta responsabilidade. O retrato explora todas as possibilidades técnicas que o desenho tem a oferecer e cobra um intenso estudo de percepção de formas e cores. Não é como, por exemplo, desenhar ou pintar um cavalo (sem querer desmerecer pinturas de cavalo, que são magníficas) mas se você se equivocar com alguns detalhes na cara do cavalo, ele continuará sendo um cavalo qualquer.

Mas não se assuste pensando que é uma tarefa difícil ou impossível de ser executada. Existem técnicas que auxiliam no processo, assim como uma boa gama de treino dá-se jeito em tudo. Existem rios de margens curtas e largas. O retrato se comparado ao rio, é a margem larga. Para tanto, existem maneiras de se construir pontes magníficas para que se possa sempre passar de um lado ao outro sem dificuldade.

Se você gosta de retratismo, vá em frente, estude desenho e realize essa paixão que impulsionou tantos na história da arte a darem sua colaboração artística para o mundo.

Sempre gosto de dar uma olhada no tratado da pintura, de Leonardo Da Vinci, pois contém observações muito úteis e interessantes para que nosso trabalho se sustente como representação da realidade. Destaco este trecho:

Como se deve adquirir diligência antes que veloz execução

"Você que desenha, caso deseje estudar com utilidade e proveito, acostuma a desenhar sem pressa e considera, dentre as luzes, quais e quantas alcançam o primeiro grau de luminosidade.

De semelhante maneira, veja, dentre as sombras, quais são mais escuras do que as outras: como se combinam entre si; suas proporcionais dimensões; seus contornos;

para que lado se orientam; que parte da linha se curva de um lado ou de outro; em que ponto são mais ou menos conspícuas; quais são largas e quais sutis, e por último, faça com que suas sombras e suas luzes se cortem sem traços ou borde-as como fumaça. E quando já tiver treinada a sua mão e seu juízo nesta prática diligente, você verá como trabalhará com maior presteza do que antes."

Leonardo Da Vinci - Tratado da Pintura